Terça-feira, 30 de Março de 2010

NÃO ME SINTO SEDUZIDA PELO SONO !

 

Não me sinto seduzida pelo sono.

A incoerência da rotina

a discordância da vida

a dissonância…
Ainda que se alterem os lugares

as imagens continuam a ser as mesmas!
Não me sinto seduzida pelo sono…

Sou honesta com as flores

e comigo,
sobrevivência glacial.
Não se ouve o meu silêncio

nem meu olhar sem rumo… 
Não me sinto seduzida pelo sono.

Desarrume-se o amor das gavetas!

Reavivam-se olhares!
Com serenidade… entreguem-se as almas…
Não me sinto seduzida pelo sono.

Que dancem os peixes

nadem as aves

voem as flores

rodopiem as ondas de aromas

enraízem-se as folhas e as pedras…
Não me sinto seduzida pelo sono…

Ainda que o rio corra para montante…

não me sinto seduzida pelo sono.

 

          Edite Gil 

     (Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 23:04
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LASCÍVIA

 

        LASCÍVIA…I

 

Deixei a porta aberta…

desabotoa meu húmus…

não digas nada que careça sentido

não macules o que de belo ainda tenho

mas deixa-me existir no teu mundo

Liberta-me de todas as máscaras e rouba-me o pudor…

esbanja, em mim, tuas carícias…

aquieta-me o espírito e desinquieta-me os sentidos.

que o teu abraço seja de imortal desejo.

Deixei a porta aberta…

ocupa-te de mim!...

 

 

        LASCÍVIA…II

 

arrebata-me em teus braços

sorve meu respirar

debica-me um sorriso

saboreia-me os lábios!

entrelaça teus dedos em meus cabelos

acaricia-me o rosto

toca uma música romântica no meu corpo feito piano

sussurra-me e mordisca-me a nuca

roça teus lábios nas minhas coxas

roça teus lábios no meu ventre

faz de meu corpo o papiro de teu poema

escandaliza meu sentir

 

 

        LASCÍVIA…III

 

Que se confundam nossos corpos…

teus lábios afloram cada poro de meu corpo

despe meu interior ilimitado

deixa-me arrastar as unhas pelas tuas costas

enquanto perpetuamos um beijo louco e longo

mordica-me os joelhos

deixa a tua língua brincar no meu umbigo

beija os meus seios nus

besunta-me de beijos

o sal do teu suor abrasa-me

derruba-me sob ti

despe-me

apodera-te deste corpo pleno de desejo

que se confundam nossos corpos…

 

        Edite Gil

        (Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:40
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VADIAGENS MENTAIS

Pétalas de veludo

num caule de rosa

buscando um beijo do sol

deixam esvoaçar um dulcíssimo perfume…

Os cravos meigos e suaves,

presenteiam as abelhas,

com suas doces coroas…

Romãs requebram-se ao calor do astro rei…

Jacintos alagam, de púrpura,

brandas e verdes paisagens…

O sol desperta na aurora

e envolve a terra macia

com seus braços, feitos sedosos raios

e aquece-a com seus ternos beijos…

MENTIRA!!!

As rosas, invejosas, querem ser as mais belas das flores.

Com ardil, os cravos atraem abelhas

para serem os únicos fecundados…

Romãs requebram-se, despudoradas…

Os jacintos invadem as paisagens, por puro egocentrismo.

O sol

o sol obriga-me a acordar

rememorando o martírio do degredo…

 

      Edite Gil

    (Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:37
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HORAS INDIGESTAS

Queria escrever num penedo,

meu desespero de fera,

para que minhas cicatrizes de pomba

pudessem compreender

vagabundagens mentais

em oceanos de ideias e galáxias de desejos…

Nessas horas indigestas,

em que a aura da perversão

veta a legião dos suspiradores

uma lágrima trai o pensamento

que vagueava pelo arquejar de duas respirações…

Como a incerteza se perde, em mim!…

Não tirei bilhete para a vida

mas mantenho um sonho de boneca!...

 

           Edite Gil

        (Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:34
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CHAMA DA REBELDIA

Suplico às asas dos pássaros

que toquem nas águas e as façam sorrir…

Os lábios das estrelas beijam uns passos,

num contemplar, denunciador de entrega,

rumo à hera de palavras por desabrochar…

Já o sol se despediu rumo ao infinito

postergando, num espreguiçar, o último raio,

ocaso de olhar…

Nesta utopia errante

sou vagabunda, até de mim, perdida!...

Amêndoas da primavera…

são sonhos de infância!…

 

   Edite Gil

(Registado no IGAC)

publicado por Edite Gil às 22:29
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Quarta-feira, 3 de Março de 2010

APASCENTAR NUVENS

 

Apascento nuvens!...

Contemplo velhas falanges

que harpeiam poesia no firmamento

e escrevem música nas esferas

e pintam os sons do pensamento!

Sou portador do almejo individual e obtuso

de anotar o ondular dos olhares!...

Gotejar de um sumo

ora doce e amargo,

ora, não sumo…

As facécias amorosas e os jogos de sedução

não diferenciam os irracionais, dos outros,

bem como a diversão deliciosa da procriação…

O desespero, não há como o amenizar,

pela ausência de carinho…

Sem a desenvoltura da juventude

enregelarei o corpo, com o mar até ao pescoço

enrugada,

tal pergaminho

que se curva

e torna pó

e mais nada…

Brilhante

será o reino do declínio da efémera beleza!...

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Edite Gil às 23:06
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INTERMITENTE…

Ora recebo luz verde

ora fico no átrio do esquecimento…

Meu cérebro

já farto de cansar-se…

Num torpor de vida

gostava de gostar de mim!

O tumulto concentrou-se

no meu ser inflamado…

Ontem

havia sol…

e vida…

e ilusão…

Hoje

há esquálida lua

desmedido mar

infinda solidão...

Alvitro o âmago e não o superficial!

E a minha saudade é inútil!...

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

 

publicado por Edite Gil às 23:05
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LABAREDA

Era tumba antiga,

profundamente carcomida pela humidade

e coberta pelo musgo,

disfarçada de talha dourada…

A sombra

a sombra vagueava

por um qualquer lugar frio e escuro

talvez por um imenso e escaldante deserto…

talvez buscando

um tranquilo prado verde a perder de vista…

Por entre escolhos

surgem uns olhos plácidos

ardentes de ternura…

Recorro ao testemunho dos sentidos

na luta que travei, e não venci!

Sou folha de árvore

és suave luz outonal que me nimba…

Não sei quem aspergiu meu coração

com sonho de Cupido …

Sabes...

receio que teu calor me inflame

e eu irrompa em labareda…

 

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 23:01
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CORSÁRIO

Todas as noites

navegas em meu sono.

Todas as noites

és corsário de meus sonhos…

Eu entro em teu navio e zarpamos…

aportamos,

entre carícias de espuma

e lençóis de crepúsculo…

as velas enfunam

com suspiros formando brisa, formando vento…

todas as manhãs

releio o diário de bordo

e deixo que sejas, de novo, o pirata

que assalta e furta meus pensamentos

mesmo quando desperta…

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

 

publicado por Edite Gil às 22:59
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TEMPO CÉLERE

Qual a razão

de ser a abelha, um ser tão pequeno,

a produzir o doce mel?

Tudo se evola

ante a obstinação caprichosa das horas velozes

Porque conseguimos adivinhar os desejos

entre o entrelaçar dos olhos

e o trocar das mãos…

entre a paz, a calma e o desespero…

entre o saborear

da primeira dentada na fruta madura e…

Almejo ter a liberdade

de me prender a ti

e cruzar as diferenças,

e volver terra fértil…

Ah!... o gélido arrepio desconcertante na barriga…

o olhar cúmplice…

o abraço inesperado…

o calar da palavra

pelo sabor de um beijo…

Flui imperceptível

a inconsequência da felicidade…

e o coração não adormece…

Serei o meu próprio algoz?

Acendo o fósforo ou permaneço na escuridão?

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 22:57
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PALAVRA OCA

As palavras

de tão vulgarizadas

esvaem-se e vazam de sentido…

o étimo envolve-se de nada

e nada transmite…

A palavra

não é mais que um som,

desprovido de ideias,

carente de sentimento,

falho de sentido…

eis a razão, de olhar, e nada verbalizar…

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 22:55
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QUALQUER DIA…

Ergo meu olhar fatigado,
indagando saudades conscientes…
Vendo os olhos da sorte

vendo a sorte, quem a quer?...
Tímido e impaciente murmúrio ansioso

o de meus dedos, velando um cigarro…

Meus pensamentos

já não são regozijos

do abraço do fumo e do evolar…

são paridos por lava incandescente

no adiar o tempo forjado…

Qualquer dia…

qualquer dia fumo um bosque!

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 22:53
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CINZENTO DORIDO

Em desejo divino

apela-se a uma realidade melhorada!

Neste cinzento dorido

nesta tarde suada

que não se caia

no intrépido ruído

da cidade pardacenta,

cidade de gentes

que se floreiam e meneiam altivas

num esgar de mentes rudes e grosseiras…

O cansaço do vai e vem, maquinal

de sentido sem sentido

da vontade de dizer, e não poder…

da vontade de viver…

Há verbos

que se nos tornam dependentes…

Em desejo divino

apela-se a uma realidade melhorada!~

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 22:52
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ANÁLOGO

Questionei o espírito…

Dei preces às mãos,

volvendo-as em todas as direcções…

Em brados de brandos passos

contestei a formosura

num gastar do silêncio…

E tudo

se manteve

imutável.

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 22:50
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SÓ SONHO

Sonhar…

Há quem sonhe sonhos inauditos

como o evolar do fumo dos cigarros

queimados entre os meus dedos…

Há quem sonhe sonhos malditos

tais guerras e fomes e pestes

e gritos silenciosos dos degredos…

Há quem sonhe sonhos de futuro

erga palácios durante o sono

e se detenha no primeiro muro…

Há quem sonhe sonhos por sonhar

sonhos portadores de divertimento

pelo prazer de, a fantasias, se entregar…

Há sonhos que se desbaratam…

sonhos que anoitecem a alma…

há sonhos que nos acometem…

sonhos que nos retratam…

sonhos que nos entorpecem…

sonhos que nos rematam…

Eu… só sonho que sou!...

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 22:48
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…AO ALTO

Há momentos

em que busco a magia perdida

e fujo da solidão em que me enrosco…

da solidão

em que me perco dentro de mim…

Pressinto

que nada tenho para partilhar comigo

a não ser

a angústia do orgulho do silêncio…

Demasiado pura esta dor

para ter a fidalguia do verbo!...

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 22:45
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RAZÃO – SONHO – REAL – IMAGINÁRIO

Na caverna de um ser

o respirar da alma…

o respingar da alma…

Esbarrar no vazio, no silêncio, na indiferença

instintivamente, por dor ou saudade

é não compreender a música nómada

é não compreender a infusão, a fusão e a efusão…

Refulgindo, o ébano do espírito mascara-se com a candura…

Que regresse a condescendência da fantasia!

O refrão invade o rifão!...

Grite-se a mágoa infinda do coração clandestino

que caminha ilícito e descalço…

O frio das pedras na vereda cortante que ruma ao abismo…

Quem ousou cortar as asas da imaginação?

Cada um ruma a si, e não se encontra…

E o zimbório da vida em astuta zombaria…

O refrão invade o rifão!...

Para quê as palavras?

Para quê os sonhos?

Para quando, o momento memorável da libertação?

 

Edite Gil

(Registado no IGAC)

 

publicado por Edite Gil às 22:42
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